segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Carlos Alberto Di Franco: TV transformou Lindemberg em estrela midiática

Por Carlos Soares Martin - www.comunique-se.com.br - 1o. Caderno - 19h46 - 19/10/2008

O diretor do Curso Master em Jornalismo e Gestão de Empresas de Comunicação do Instituto Internacional de Ciências Sociais, em parceria com a Universidade de Navarra, na Espanha, o professor Carlos Alberto Di Franco, disse nesta sexta (17/10) que a mídia televisiva transformou Lindemberg Fernandes Alves – que manteve a ex-namorada refém e uma amiga, em São Paulo – numa “estrela midiática”, ao transmitir entrevistas com ele.

Di Franco deu a declaração antes que, neste fim de tarde, Alves tenha sido preso e as duas jovens baleadas, segundo a Folha OnLine. O professor se referia às entrevistas dadas pelas emissoras Rede TV!, Record e Globo com o jovem Lindemberg Fernandes Alves, durante os quatro dias de seqüestro.

“Tudo isso vai dando a ele (Lindemberg) uma sensação de protagonismo, de importância, que transforma um ser humano que está em contravenção penal em uma estrela midiática”, afirmou o professor e colunista do jornal O Estado de S.Paulo.

Segundo Di Franco, o “espetáculo” que o jornalismo televisivo promove, “com destaque para a TV Record”, poderia influenciar os “sentimentos” e as “ações” do jovem. Para o professor, Lindemberg é um rapaz imaturo que poderia ser levado pela turbulência das emoções.

O “show” que o diretor do Curso Master de Jornalismo se refere se dá, segundo ele, por um mecanismo natural do meio. Para o professor, na TV, a emoção é maior, o que aumenta o sentido de responsabilidade e ética da emissora e da programação. “Não estamos transmitindo uma ficção, estamos falando de vidas. Uma grande manchete não vale uma vida. É o que sempre digo”, afirmou Di Franco.

A Rede Record disse que não vai se pronunciar sobre o assunto.

Mídia impressa
Para o colunista do Estadão, a mídia impressa está fazendo um bom trabalho sobre o caso. “É uma cobertura contida, correta”, disse.

Seqüestro: como cobrir?
O professor Carlos Alberto Di Franco defende que, em casos de seqüestro, não haja nenhuma menção pela mídia, desde que não seja de domínio público, mesmo em casos de seqüestros envolvendo líderes de Estado e pessoas públicas. Quando o caso passa a ser noticiado, Di Franco sugere prudência: “Precisamos diminuir qualquer grau de emoção que possa colocar em risco a vida do seqüestrado”, afirmou.

Prezados Colegas, lá vamos nós de novo, mais um evento telejornalístico... Qual a opinião de vocês sobre o que está no artigo?

16 comentários:

Anônimo disse...

Os canais de televisão, como se refere o professor Carlos Alberto Di Franco, diretor do Curso Master em Jornalismo e Gestão de Empresas de Comunicação do Instituto Internacional de Ciências Sociais, em parceria com a Universidade de Navarra, na Espanha, transformou Lindemberg Fernandes Alves – que manteve a ex-namorada refém e uma amiga, em São Paulo – numa “estrela midiática”, ao transmitir entrevistas com ele.
Na tentativa de fazer com que sua reportagem venham a alcancar um maior Ibop, os canais de televisões, transformamam suas materias em shows midiatiucos, não se preocupando com as consequências das matérias.
Os jornais deveriam se preocupar mais com a forma com que eles apresentam as matérias,
resguardando a integridade dos personagens das reportagens. Como o professor acho certo “Não estamos transmitindo uma ficção, estamos falando de vidas. Uma grande manchete não vale uma vida."

Marcelo Vilela Nunes
jornalismo 6º período UNA

Anônimo disse...

Eu concordo com o professor Carlos Alberto Di Franco. Não é a primeira vez e nem será a última vez que a mídia atrapalhará um sequestro. No sequestro do ônibus 174 a mídia também atrapalhou a polícia e mais uma vez morreram reféns. Acho que a transmissão de sequestros tem de ser repensadas pois as trasnmissões ajudam mais os bandidos. Dão a eles coragem e podem usa-las para obter poder. Poderia se fazer com as transmissoes de sequestros o mesmo que fazem com suicídios.

Leandro Campos de Carvalho disse...

O Professor Carlos Alberto Di Franco resumiu muito bem o escarcéu que a mídia fez sobre o seqüestro. A mídia transformou um fato isolado em um show e assim atrapalhou o trabalho da polícia, que ficou com medo de tomar decisões precipitadas na frente das câmeras e acabou errando feio, transformou Lindemberg em uma estrela de um reality show bizarro e mais uma vez ganhou audiência brincando com a vida alheia. Até quando a mídia vai continuar interferindo sem pensar nas conseqüências de seus atos?

Anônimo disse...

Essa cara podia ser mais claro não entendi porque ele foi tão radical. Esse vei num manja nada. Tá por fora. Vai ser dificil ficá aqui falando abobrinha sem nada de bom para fazar. Até que eu tava gostando, mas eu tô vazando. vô sai para cagar, tô indo, fui.

Anônimo disse...

O jornalismo se faz com responsabilidade.É preciso criar normas,leis que regulem e controlem melhor nossa profissão.
É inadimissível aceitar a atuação das empresas de comunicação do Brasil que fazem das tragédias humanas verdadeiros shows midiático.As coberturas jornalistícas feitas no caso Limdemberg,onde as tvs exibiram entrevistas ao vivo com o jovem que estava em uma situação de desespero,no meu ponto de vista contribuiram e muito para o final trágico do caso.É vergonhoso a forma com que colegas de profissão para conseguirem audiência e prestigio coloquem vidas em risco.Até que ponto vale a pena exibir imagens,entrevistas de cidadãos brasileiros em situação de desespero? O jornalista não é Deus.É preciso rever as leis de imprensa com urgência.Não podemos publicar os fatos da maneira que bem quizer-mos sem nenhum tipo de fiscalização.Faço nesse espaço uma breve retrospectiva de fatos noticiados no Brasil onde as tvs ao invés de fazer a sociedade refletir sobre os acontecimentos em uma visão macro si limitou a divulgar tragédias em capítulos como se fosse novela mexicana.
Caso João Hélio no Rio de Janeiro.
O bebe jogado na lagoa da pampulha em Belo Horizonte.
Caso do onibus 174 no Rio.
Assassinato da pequena Isabela Nardoni.Todos esses fatos poderiam ser divulgados com um outro enquadramento.De maneira que levasse nossa sociedade a discutir e refletir sobre os temas.Seria uma maneira de unir o poder público , sociedade civíl e imprensa a achar juntos soluções para os principais problemas de nosso país.

Sergio Leite disse...

É engraçado, passamos o ano inteiro discutindo sobre linha editorial cada veiculo de comunicação segue uma linha diferente uns dos outros. Basta acontecer um caso sobre seqüestro, para todos os meios de comunicação perder a linha que diz ser diferente.
A baixaria é total, são capítulos e mais capítulos de agonia e sofrimentos de pessoas em cárcere privado. O teatro em cadeia nacional é um prato cheio para o povo brasileiro. A imprensa faz o seu papel sem ética, sem normas, sem escrúpulo, é vergonhoso aceitar isto, mas vende, e vende muito. Será que a mídia esta errada ou é o povo que adora este tipo de imprensa vermelha?
Acho que a culpa disso não é só das emissoras, mas também nossa. Achamos esse tipo de cobertura errada mas não desligamos a televisão, pelo contrário, damos audiência que pro conseqüência gera lucro para as empresas.
Concordo que deveria haver uma legislação mais elaborada impor limite à mídia. Entrevistar um bandido durante a ação criminosa dele, ai já é demais. Situações como essas, em que a vida humana, vira show podem inclusive influenciar outros como ele a agir da mesma forma, e ai, a mídia estaria cumprindo uma função contrária àquela idealizada para construir uma sociedade melhor.

Unknown disse...

Concordo com o professor Carlos quando ele diz que precisa haver prudência na cobertura de seqüestros. Se bem que a prudência cabe em qualquer lugar, seja ao noticiar um crime ou a descoberta de cura para uma doença. Discutimos muito o seqüestro de Eloá, tanto dentro como fora da sala de aula. E as opiniões que ouvi foram quase unânimes: a mídia atrapalhou o desfecho do caso. Mostrou policiais em posição estratégica, vasculhou a vida das vítimas e de suas famílias (chegando até a usar apartamentos vizinhos como "redação" provisória) e para completar expôs demais os reféns, o seqüestrador e a própria polícia. Na semana do crime todo canal de TV aberta só falava disso. O que acho engraçado é a postura da imprensa: arma o circo e depois joga tomate no picadeiro. Durante o seqüestro pediam uma solução, cobravam respostas, tentavam negociar ligando direto para o seqüestrador. Depois, quando finalmente tomou-se uma atitude, o que a mídia fez? Disparou sua metralhadora de críticas contra a polícia, questionando sua postura e até entrevistando especialistas para reforçar a idéia de que a invasão foi uma loucura e a as estratégias usadas estavam erradas. Agora, cá pra nós, quantos meios de comunicação pararam para pensar se a imprensa estava realmente certa?

Anônimo disse...

Vale a pena pensar até que ponto um fato é notícia e se torna interesse público. Acho que a maioria não quer deixar de ver a cobertura de um crime como esse, assim como todos nós, mesmo que sem saber ou querer afirmar, gostamos de ver o outro morrendo. Isso pode ser mascarado, mas nem por isso deixa de existir... Cabe ao jornal mostrar de forma ética o que os espectadores querem ver.

Ana Paula Teodoro

Unknown disse...

Concordo plenamente com o professor quando elefala do "espetáculo televisivo" que as emissoras transformaram neste caso. Achei um absurdo a maneira que os apresentadores dos programas da Sônia Abraão e do Hoje em Dia, ao falarem com o lindemberg. Isto não épapel de jornalsita, principalmente ao declararem no inicio do sequestro que Lindemberg era um rapaz de bem e que so estava um pouco confuso, ele não era nem bandido nem sequestrador. Tentaram fazer com que ele se entregasse ao vivo, se ofereceram para sair do apto junto dele para garantir sua intergridade fisica.
Onde está o profissionalismo dos jornalsitas?
Será que eles esqueceram tudo que estudaram e pra que serve o papel do profissional de comunicação que presta um serviço social?
Desde o inicio ocaso era e foi de policia, somente ela devria e poderia se comunicar com o sequetrador. Acho que a policia errou ao deixar que emissoras de TV falasse com Lindemberg, eles deveriam ter cortado o tel dele e deixado somente o que falava com a policia.
Se a postura dos canais de comunicação não mudar ou a policia não começar a declarar que a midia está atrapalhando, acredito que mais casos como estes irão acontecer e infelizmente a midia continiará interferindo.

Anônimo disse...

Concordo. A mídia transformou uma situação precária em um espetáculo para a população.
Acredito que ela influenciou as decisões tomadas pelo adolescente, mas também fez com
que a polícia perdesse o foco em salvar as vítimas, para se preocupar mais com a
presença da mídia e o que ela poderia falar sobre ele e sobre o governo.
Os jornalistas dizem que possui o dever de informar a população. Concordo, mas
especular 24 horas o que irá acontecer é exagero, ainda mais atrapalhando o caso, e
chegando a provocar um fim trágico.
Temos que agir, fazer algo para que isto mude.

Anônimo disse...

o "caso" Eloá o "caso" Isabela Nardoni o "caso" joão Hélio e por ai vai... a exaustão com que a tragédia da vida pessoal desses personagens foram noticiadas fez com que todos virassem "casos" ou seria uma novela? e no "caso" de Eloá um BBB com acompanhamento direto, ao vivo e exaustivo pela mídia? quem será a próxima vítima?

Anônimo disse...

Durante muito tempo discutimos em sala de aula sobre ética no jornalismo. Nunca conseguimos encontrar uma teoria correta sobre o que é ético ou não, porém sempre estabelecemos em nossas discussões qual o papel do jornalista ao cobrir uma matéria. No caso de Lindemberg a mídia transformou em uma novela das 8,onde o importante é garantir o número do ibope. Concordo que as câmeras deram ao adolescente a senção de ter o papal principal dessa novela e que ele poderia fazer o seu proprio roteiro. O que mais achei "ilario" foi o sequestrador da uma entrevista para as emissoras com a adolescente sequestrada em suas mãos...é como se Limdemberg risse de nossas caras!

Anônimo disse...

Concordo totalmente com essa espetacularização feita no caso.Não é a primeira vez que a mídia cobre um acontecimento tragico desta forma.A participação de Lindemberg em programas, com certeza o transformou numa “estrela midiática”,e isso com certeza pode ter influenciado muito no desfecho do mesmo.A forma que a mídia tem abordado certos assuntos em nossa atualidade tem sido repuginante, fugindo assim, muitas vezes do ideal jornalistico.Não cabe ao jornalista comversar com um sequestrador no momento do crime, não cabe ao jornalista se envolver desta forma no sequestro.A função do jornalista foi totalemnte desviada ao se fazer uma cobertura "espetaculo" do caso.

Cássia Rolim disse...

Faço mimhas as palavras do professor Carlos Alberto Di Franco. Afinal todos nós estamos cansados de vêr o espetaculo que a midia faz em cima da desgraça alheira né...Tudo isso só pra ganhar audiência!
Os jornais dizem que estão informando a sociedade cada detalhe do que acontece, mas na minha opinião isso não e informar ,mas sim por em pânico a sociedade e pior atrapalhar o que certamente poderia vim a ter finais felizes,tem hora que sinto horror da midia por jogar tão baixo.Temos muitos casos que tiveram finais é desfeixos trágicos tudo porque a midia transforma uma fatalidade em um show.Não vamos nós influenciar por essa idéia sem coração e sem escrupolos,vamos jornalistas em formação fazer diferente,mudar o show por informações que ajudem as pessoas e não as que possam vim a prejudica-las.

Anônimo disse...

Hoje em dia, o jornalismo é mais levado pela emoção, sensacionalismo e shows das desgraças alheias. As tragédias são tratadas como histórias de ficção passadas no cinema, mas se esqueçem de que se trata de pessoas reais e fatos verdadeiros. A mídia se envolve de uma forma negativa, sem ética, respeito, e principalmente, sem prudência.

Anônimo disse...

A TV noticiava o caso do sequestro tentando demostrar os sentimentos do sequestrador Lindenberg. A notícia se tornou: o rapaz e quais eram os motivos de sua atitude. Talvez fosse por esse motivo que o sequestrador se sentiu tão "dono da situação" e com o poder de controlar as meninas, os policias e até mesmo a mídia. O desfecho não seria o mesmo se o jornalismo televisivo tivesse dado menos importância ao sequestrador e mais credibilidade para o fato. Além disso, o final seria outro se os interesses da mídia fossem em noticiar uma reportagem e não um espetáculo.