segunda-feira, 3 de março de 2008

O segundo chute na santa

A Igreja Universal do Reino de Deus abriu uma guerra contra a imprensa, utilizando-se meios um tanto que ortodoxos.

Dêem uma olhada no artigo do Nelson Hoineff (um dos maiores e melhores críticos de TV), no site o Observatório da Imprensa (se ainda não visitaram, é uma obrigação profissional de agora em diante): http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=474JDB004

Procurem se informar, tentem exergar os dois ou mais lados e coloquem sua opinião aqui. E que repercussão isso poderia ter na carreira de vocês (se há alguma, é claro!)

6 comentários:

Anônimo disse...

A Record no desespero para acompanhar a Globo na audiência jornalística, esquece-se do básico do jornalismo que é a busca da verdade e trabalhar com credibilidade. Fiquei espantado com os jornalistas da Record, ao concordarem com a emissora em combater uma jornalista por meio do jornalismo. A ética profissional foi rasgada e chutada como a imagem da santa. Nós estudantes de jornalismo, devemos pensar muito sobre esse assunto. Se fosse eu no jornal da record colocaria meu emprego em risco e não trabalharia naquele dia. Sabemos que para noticiar algo dessa gravidade devemos escutar todas as partes e apresentar para o públicos as versões para que eles tomem as decisões de quem esta certo ou errado. Uma emissora que tenta ser a a melhor nesta área nunca deveria ter tomado tal decisão. Isso nos mostra como a Record ainda esta engatinhando no ramo jornalístico.

Anônimo disse...

Falar de religião é complicado, mas de jornalismo não!
Independente da raça, credo ou time de futebol o jornalismo tem que ser neutro e isso aprendemos desde o primeiro período: é ética!
O fato de a Record estar crescendo e ter incomodado a “manda chuva” Rede Globo é bom, pois abre-se uma guerra positiva se olharmos pelo lado de que o telespectador não será mais manipulado só por uma emissora e terá os dois lados da moeda, podendo formar a sua opinião.
Porém, usar da crença do povo ai não vale. Que a Record ajude a Universal com dinheiro, por exemplo, não com noticias que favorecem uns e menosprezam outros. Pois essa sim é uma briga negativa, só faz aumentar a rincha entre católicos e evangélicos. E isso não cabe à imprensa.
Todos perceberam nas matérias feitas pela Record sobre a Igreja Universal, que foi marketing puro, venda de peixe mesmo! Isso cabe aos canais específicos da igreja evangélica.
A Record fazendo isso queima o seu próprio filme e o de toda a categoria. Prejudica a imagem do jornalismo....temos apenas que divulgar a verdade, doa a quem doer.

Flavia Marques disse...

O princípio básico de comprometimento com a verdade deveria ser respeitado por todo e qualquer jornalista. Independente da sua opnião, crença ou costume. O jornalismo antes de ser uma empresa, representa uma função social, ou seja, é comum e presta serviços à sociedade. Não deve ser usado para ofender, manipular.
A Record visa somente a audiência e deseja entrar no páreo com a Rede Globo. E está fazendo isso a qualquer custo. Mas acaba não percebendo que dessa forma não conquista a credibilidade. Muito pelo contrário, ganha inimigos e a antipatia dos telespectadores.
Isso prejudica a imagem de jornalistas que trabalham na emissora e que às vezes não têm muita escolha e precisam manter seus empregos.
A sociedade precisa de notícias bem apuradas, com bom conteúdo e nada mais. A Igreja Universal precisa se colocar em seu lugar. Já faturam muito dinheiro com o dízimo e afins.
Trabalhem honestamente e façam a emissora crescer de maneira ética.
Mais um exemplo 'do que NÃO fazer' aos atuais e futuros jornalistas.

Anônimo disse...

Esses dois episódios e as reações das emissoras parecem tratar de uma briga antiga onde as empresas de informação parecem esquecer que nós(público) estamos assistindo tudo de camarote. Parecem também terem esquecido de como serem jornalistas e foram muito além de suas funções. Entendo isso como uma briga de "donas Marias" e eu, como telespectadora, acho uma palhaçada. Uma empresa cometeu um erro e a outra ao invés de somente repassar a informação, tenta vender junto uma imagem de imoral a empresa em questão esquecendo que o julgamento deveria ficar a cargo do público. Ao meu ver nenhuma das duas merecem reconhecimento como empresas sérias. Vamos parar de aceitar essas brigas que não nos acrescentam nada e destroem a verdadeira imagem do jornalista.

Marcelo Rocha Costa disse...

A questão da Record é profunda e sua análise vai estar arragaida às próprias crenças religiosas do Brasil. O crescimento dos evangélicos é notório e não pode ser negado nem escondido. Este aumento é consequência da insatisfação de muitos católicos com a maneira como é conduzida a igreja. Por isso muitos cidadãos, ávidos por uma nova forma de exercitar sua fé, mudaram-se para os templos do Bispo Edir Macedo e contribuiram para sua rápida expansão. O que não pode ser aceito é a peseguição à imprensa- em particular à jornalista Elvira Lobato. A Record é antes de tudo uma empresa de comunicação e como tal deve seguir os preceitos da liberdade e da ética. A sua conduta não passa por esses preceitos. Fica a clara influência da Igreja Universal no direcionamento e na conduta dos seus profissionais. Não é este o Jornalismo a ser seguido e tampouco o que deva ser praticado.
Veja o que diz Ricardo Mariano
:
Apesar da eficácia do evangelismo eletrônico da Universal, deve-se atentar para o fato de que ele não converte praticamente ninguém, apenas atrai (o que não é pouco), em maior ou menor número, indivíduos aos templos e auxilia na implantação e divulgação de novas congregações. É no interior dos templos que a pregação ou a oferta mágico-religiosa da igreja pode se tornar plausível, isto é, romper ceticismos e barreiras que impeçam o virtual adepto de se entregar a Jesus, de mudar de religião e de se manter na nova comunidade religiosa. Seja nos casos em que atuam familiares, amigos, vizinhos, colegas de escola ou trabalho, seja naqueles em que mídia eletrônica, literatura, pregações em K7 ou em vídeo, CDs e música gospel atraem os potenciais adeptos, as relações interpessoais são cruciais na adesão à igreja e mais ainda no processo de conversão. Daí a preo-cupação da Universal em procurar recepcionar da melhor forma possível os recém-chegados que não possuem contato pessoal prévio com outros crentes, orientando-os didaticamente sobre a necessidade de prosseguir freqüentando os cultos e participando das correntes de oração para obter as bênçãos desejadas e, em muitos casos, inserindo-os em grupos menores e mais íntimos no interior da igreja, como os grupos de jovens, por exemplo, ou em núcleos de crentes que se reúnem na residência de um de seus membros.

A Universal é proprietária de várias empresas: TV Mulher, Rede Record (com 63 emissoras, sendo 21 delas próprias), 62 emissoras de rádio no Brasil, Gráfica Universal (que publica a Folha Universal, cuja tiragem semanal supera a cifra de 1,5 milhão de exemplares), Editora Universal Produções, Ediminas S/A (que edita o jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte), Line Records (gravadora), Uni Line (empresa de processamento de dados), Construtora Unitec, Uni Corretora (seguradora), Frame (produtora de vídeos), New Tour (agência de viagens), entre outras. No exterior, a Universal possui emissoras de rádio e TV e instituições financeiras.

Ricardo Mariano é doutor em sociologia pela FFLCH-USP e professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS).

Natália de Sá disse...

Confesso que tinha certa admiração pelo fato da Record ter colocado no ar um canal aberto de notícias. Depois de ler essa matéria, fiquei profundamente decepcionada e desconfiada de tudo que é realizado pelos meios de comunicação que pertencem a Igreja Universal.

Não satisfeita de ler somente essa matéria, resolvi procurar mais matérias que envolvessem o poder que Igreja Universal exerce na imprensa Brasileira.
Achei inúmeras matérias, a maioria delas de outros meios de comunicação e jornalistas, repudiando a atitude da Igreja Universal, não só no caso da jornalista, mas também em todos os seus esforços de usar a imprensa como forma de se promoverem.

Essa atitude da Record e da Igreja por trás dela, vai totalmente contra á liberdade de imprensa. A matéria da jornalista Elvira Lobato foi fruto de dois meses de pesquisa. O Jornalismo não tem a obrigação de mostrar a verdade ao público e foi exatamente isso que a jornalista fez.

Associação Brasileira de Imprensa (ABI), a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) já divulgaram notas de posicionando conta as ações da Igreja Universal.

Já não basta ser dona de vários veículos de comunicação, agora a Igreja também quer censurar o que outros veículos dizem sobre ela. Isso é jogar muito sujo.
Falando em jogar sujo, busque no youtube.com o nome Edir Macedo e tire suas próprias conclusões.