domingo, 21 de outubro de 2007

Audiência Zero


Revista Meio Digital - no. 1 - Agosto/Setembro - 2007 - pg. 18


Difícil afirmar, mas o erro parece ter sido primário. Bud.TV, aquele que deveria ter sido o maior projeto de marca na história da internet, com previsão de investimentos na ordem de US$ 30 milhões, não decolou porque não usou a internet. Contra-senso? Sem dúvida, mas nas entrelinhas das declarações públicas e dos mais recentes mvimentos de mercado de seus gestores há pistas que podem levar a essa conclusão.

Uma delas é esta: "Deveríamos ter entendido melhor toda a arquitetura da internet, de um ponto de vista do marketing. Acreditar que as pessoas viriam foi um equívoco. Deveríamos ter engajado melhor o consumidor", declarou Jim Schumacher, vice-presidente de desenvolvimento criativo da Anheuser-Busch, um dos responsáveis pela concepção do projeto.

A estratégia da companhia esteve prioritariamente focada em divulgar na mídia tradicional, com estrondoso lançamento no Super Bowl, a chegada da Bud.TV. e aguardar a explosão de público. Não rolou.

A outra dica pode ser a recente contratação pela empresa da New Media Strategies, consultoria especializada em analisar as preferências dos internautas através da visitação de blogs e social networks, melhor termômetro da web para previsão de tendências. O chamado boca-a-boca digital. E a primeira dica de todas de que as coisas iam mal e de que o projeto poderia mesmo ser descontinuado veio de ninguém menos do que August Busch IV, o executivo chefe da Anheuser-Busch: "O projeto Bud.TV deverá ser reduzido". O herdeiro da companhia disse isso não em uma mesa de bar, tomando uma Bud, mas em uma conferência com acionistas.

Peter Blackshaw, diretor de marketing da Nielsen, também um analista de marcado, acrescentou outra pista na mesma direção: "Grandes marcas, como Budweister, estão experimentando sua presença online e são geralmente muito lentas na tomada de decisão. Deveriam ter percebido, usando os próprios recursos que a internet dispõe, que o público não estava vindo e que era preciso engajá-lo urgentemente. A internet faz isso melhor do que ninguém". Acreditar na web a ponto de projetar um investimento de US$ 30 milhões nela é uma baita crença. Não usar a internet com meio digital de difusão de um empreendimento com as características da Bud.TV parece ter sido a outra metade da estratégia online que deixou de ser feita.

Bud.TV é um destino com inúmeros canais de entretenimento para jovens adultos. Pretendia ser um contraponto a Hollywood, produzindo e distribuindo conteúdos, como clipes e filmes, em uma versão digital. O projeto sofreu críticas oir estar atraindo tráfego para uma propriedade de uma bebida alcoólica. A companhia foi acusada de estimular o consumo de seus produtos criando um envolvente ambiente de mídia. Prevendo que esse tipo de crítica iria aparecer, o registro de internautas no portal adotou filtros extremamente rigorosos, entre eles a exigência do ID de cada consumidor. Essa barreira de entrada, tornando a experiência de cadastramento muito longa e chata, pode também ter contribuído para o quadro geral de baixíssima visitação. Bud.TV esperava ter um tráfego de milhões de internautas. Em abril, deu traço.

Então, colegas, estamos acostumados a só receber boas notícas da internet. Como qualquer outro negócio, a possibilidade de dar errado sempre é maior do que dar certo. E agora? Qual é a opinião de vocês sobre esse caso? O que poderia impactar em sua carreira?

22 comentários:

Anônimo disse...

Uma grupo deste tamanho não poderia ter errado deste maneira. Subestimar o valor da internet é primário. Creio que não podemos pensar que uma marca consolidada em um business será automáticamente aceita em outro totalmente diferente. A Bud.tv é um tiro do grupo em outra aréa totalmente diferente. Em tempos de fidelização de clientes, onde o cliente já participa dando feedback e influênciando diretamente no produto, a Bud.tv não deixou de usar o maior canal de interação e até mesmo de divulgação. A velocidade da internet pode ajudar bastante como ruir com qualquer trabalho.
Mais um aviso para nossa carreira, que sempre é preciso estar antenado para não dar uma bola fora desta. Os sapinhos ainda continuaram arrotando BUD-WEI-SER E não BUD - TV.

Natália Lanza disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

O erro foi grande e custou caro. Apesar de grande a empresa acreditou que, ao pegar carona no "rabo de foguete" do You Tube, conseguiria o sucesso na Internet. Apesar de parecer simples a Internet não é. Existem mecanismos e lógicas próprias que regem esta mídia. Para que o usuário se sinta bem em um website são seguidas regras de um campo da Ciência da Computação chamada Usabilidade. Este quesito não foi observado quando o site colocou seu conteúdo protegido por um longo e chato processo de cadastro (tentei umas 5 vezes!) no qual o usuário deve comprovar (!) que é maior de 21 anos. Ah, por favor, eu prefiro o bom e "velho" You Tube - prático, fácil e sem burocracia.

Unknown disse...

Isso serve de exemplo para nós que estamos começando nesse campo virtual. U$30 milhões de dolares jogados na lata do lixo. É primário um erro dessa dimensão. Não fazer uma pesquisa do público alvo, do que ele não gosta na internet, principalmente perder tempo em cadastros, deve ter sido fatal. O YouTube etá aí com vídeos de várias partes do mundo (com baixa qualidade visual) sem se importar com cadastro no site. Em minha carreira, não diria que vai exercer forte efeito, mas deixa de ser um novo campo onde poderia ser util para todos nós. Concorrência é sempre bom. Eles deveriam ter utilizado essa grana para um desenvolvimenteo maior do tráfego de "dados" em banda larga. A TV na internet, eu só acredito que vai explodir e desbancar grandes empresas "Broadcast", quando tivermos grandes quantidades de "dados" sendo trafegados com velocidade alta. Aí meu caro, a qualidade dos conteúdos serão excelente, em vídeo e audio. Câmeras já temos, só nos faltam caminhos rápidos e fáceis para colocar-mos no ar.

Anônimo disse...

Eu acredito que para um investimento tão alto como foi esse projeto da Bud.tv, não poderiam ter cometido tantos erros primários. O primeiro foi acreditar que por se tratar de uma marca consolidada (Budweiser) em outro mercado, os usuários iriam migrar automaticamente para seu novo produto, o que não ocorreu. Também não definiram claramente qual seria seu público preferencial. Não se preocuparam em realizar uma pesquisa mais concreta do perfil dos internautas, com suas necessidades e aspirações, cometendo erros muito grotescos, como a ficha de cadastro longa e cansativa, o que acaba por afastar os usuários. Na carreira, o que pode afetar é a falta de mais um canal para concorrer com outros que estão chegando e com os que já se consolidaram, canal esse que tinha tudo para ser mais uma oportunidade para ingressarmos na profissão. E lembrando, concorrência sempre é benéfica para todos os lados, tanto para as empresas como para nós, futuros jornalistas.

Anônimo disse...

Cristiano Machado.
Primeiro:Acreditaram em uma mídia tradicional para divulgar a Bud.TV, achando que era segura para tal investimento.
Segundo: Despresaram a arquitetura da internet e de como o markenting está valorizado no meio.
Terceiro: Esqueceram o principal, o consumidor - os internautas - sua volatização no meio, não se prentendo por muito tempo em um só Website. E para finalizar,
o Quarto tópico: Feedback, pois com mais de US$ 30 milhões, não se brinca nunca, mas esse não vai ser o primeiro e nem o último caso de fracasso de investimento na internet, pois é um campo ainda muito volátil, todo investidor pode dar um tiro no seu próprio pé...
Sobre a nossa futura carreira, é mais uma multinacional que diminui a abertura de novas vagas para um campo em expansão, como a internet, mas com velocidade pela conquista desse meio continua muito acelerado.

Anônimo disse...

Caros colegas, não dá para acreditar que um grupo grande como esse pode ter errado desta maneira. Eles jamais poderiam ter pensado que só por ser grande eles fariam um sucesso na internet, sem ter preocupado em pesquisar o mercado eletrônico, ou melhor, como funciona a internet. Pergunto, será que o grupo Bud.tv foi tão ingênuo assim, a ponto de não ter estudado o mercado? A internet é fácil de navegar ela tem regras e meios, não é tão fácil como parece. É um mercado muito bom, como outro qualquer, mas, existem mecanismos, regras e linguagem própria para esse tipo de mídia. São regras que ao longo dos tempos os próprios usuários foram colocando, para se comunicar melhor e mais rápido.
Ai está o erro da Bad.TV, de não se preocupar em rapidez, ao colocar aquele cadastro cansativo, lento e muita burocracia, é até bom ter acontecido isso de exemplo para nos que estamos entrando no mercado, pois jogar 30 milhões de Dólares, no ralo é muita burrice, desculpe da palavra, um erro deste tamanho chega a ser uma burrice mesmo. Vamos agir como todo grande empreendedor, pesquisar nosso publico, facilidade der interagir, a linguagem, conteúdo e etc...
Como disse nossa querida colega Natalia, ainda prefiro “o velho e fácil YouTube”

Anônimo disse...

O anonimo é o João ok? Claudio

Unknown disse...

Como se pode fazer a divulgação de um conteúdo para internautas em mídias tradicionais? Ao invés de correr atrás de consumidores os idealizadores do projeto correram do próprio público. Não acreditar na possibilidade de divulgação na internet não só parece como é um erro primário, ainda mais quando se trata de um investimento de 30 milhões de dólares.
Mas como já foi tido, todos nós estamos sujeitos ao erro. Para nossa carreira, o ruim é ter perdido a possibilidade de ver uma novidade completa na rede, mas serve de lição para quando fomos implantar algo novo, uma pesquisa de mercado e entender o contexto no qual vamos entrar são fundamentais para ao menos tentar fazer um negócio mais assertivo.

Unknown disse...

Na minha opinião faltaram maiores e melhores aplicações de estratégias de marketing. Não se pode aplicar milhões de dólares simplesmente confiando no projeto e acreditando na marca, isso é como dar tiro no escuro.
Eu acredito que confiaram demais na net, aplicaram muito dinheiro, mas não fizeram o primordial: fazer um estudo de público, maiores acessos, dentre outros; antes de entrar na rede. Não prepararam para que o projeto, que na teoria se mostra uma ótima idéia, decolasse. Querendo ou não a marca BUD,já remete ao nome de cerveja Budweiser e inevitavelmente iria receber críticas em relação a isso.

Elizabete Lima disse...

Acredito que as pessoas atribuem o quesito internet à praticidade e facilidade do cotidiano, sentar de frente a um computador ir direto às notícias que lhe interessam. A Bud.TV porém, parece não ter prestado atenção nisso, devido a "dificuldade" e burocracia nos acessos podou os internautas que estão acostumados a serem mais dinâmicos em pesquisas e busca de seus interesses instantâneos. Penso que isso foi um ponto que atribuiu ao fracasso. Outra questão “acreditar que as pessoas viriam foi um equívoco” como eles mesmos disseram, mostra a importância de prender o consumidor, atraí-lo de todas as formas sem esperar que ele próprio sinta interesse pelo produto.

Anônimo disse...

Como diria o saudoso velho guerreiro, Chacrinha: "Quem não comunica se estrumbica." A comunicação é a alma do negócio. Um investimento dessa ordem, sem dúvida alguma, merecia estudos aprofundados sobre o público alvo, preferências, acessibilidade, navegação, interatividade, conteúdo e, principalmente, como fidelizá-lo.

beckyene disse...

Só porque a internet está em alta não significa que qualquer lançamento ou investimento nela faça sucesso. Um empreendimento exige pesquisa, a internet não é Midas, que transforma tudo em ouro. Assim como um programa no horário nobre da globo não é garantia de sucesso. As chances são boas mas o canal não faz o produto.

Tatiane Bessa disse...

Acho que a propaganda é a alma do negócio. Faltou divulgar mais o conteúdo no próprio meio. A internet é um dos maiores meios de divulgação de informação nos dias de hoje. è claro que o conteudo do BudTV tambem deve ter sido o responsável pelo seu fracasso. Em uma época em que há uma grande campanha contra o abuso do alcoolismo é fácil entender porque não deu certo. O mesmo poderia aconteer com nós, futuros jornalistas. Montar uma página é moleza pra quem sabe, agora administrar o conteudo e torná-lo atrativo que é o x da quetão. conteúdos de credibilidade e que despertem a atençao do leitor são frutos de um longo tempo de trabalho e de bons links, uma das maneiras mais comuns neste meio de divulgar sua página. Quanto aos filtros utilizados tenho que concordar que realmente é bem chato ficar preenchendo cadastros enormes, sem contar que em alguns pedem até CPF e todos sabem que este tipo de informação não é bom ser divulgada. Seria bem mais facil se as pessoas pudessem simplesmente deixar seu post sem precisar de cadastro e aí sim entrarem os filtros selecionando.

Anônimo disse...

Este é um bom tema para se disccutir.Principalmente porque estamos estudando jornalismo on line com o D'andrea.Ele já nos mostru que o futuro do jornalismo é na internet pois tudo caminha nesta direção.Tudo voçe acha e publica lá.
Eu fico sem palavras para comentar um erro deste tamanhao.Parece que entendo mais de mídias do qque a Bud, mas de qualquer forma quem tomou esta decisão naquela empresa provavelmente já foi demitido por justa causa.

Anônimo disse...

Acredito que a burocracia e a tentativa de implantar uma legalidade no acesso dos usuários ao Bud.Tv foi o maior erro do projeto. Ponto esse que uniu ao fracasso e ao desperdício de R$ 30 milhões de dólares em investimento. Isso serve de exemplo para os inúmeros projetos que estaram despontando no meio virtual, cabe ressaltar maior investimento em pesquisa, público alvo, e inclusive nos atuais canais (you tube por exemplo) como parâmetro para terem grande rentabilidade e sucesso. Ainda é cedo para querermos radicalizar e aderir a uma nova moda, cheia de regras e burocracias, sendo que a maioria dos internautas querem facilidade e velocidade na internet.

Anônimo disse...

Esse investimento foi bastante alto para um projeto embrionário. A idéia parece boa, mas não adianta usar de uma marca consolidada e acreditar que o publico saia correndo atrás de tudo que é lançado. Faltou planejamento. Bom, no final, seviu de experiência para nós estudantes.

Anônimo disse...

Acredito que eles não souberam "explorar" bem o que a internet tem a oferecer. Isso porque, pensaram que sÓ de colocar o conteúdo lá, todos já saberiam da sua existencia. Erraram feio, ainda mais porque o que público tem a dizer é muito enrriquecedor para qualquer programa, seja ele de qual gênero for. Muitos empresários já se atentaram a isso, outros não e a tendencia é acontecer como no BUD.TV

Grazielle Guedes disse...

Para mim faltou estratégia de marketing e com isto o projeto milionário não foi para frente. E também não fizerem uma pesquisa do perfil dos usuários outro erro primário.
Acredito que se a divulgação da Bud.tv tivesse sido melhor e explorado mais as possibilidades, talvez tivessem alavancado o produto. Outro erro é a ficha de cadastro, isso é muito ruim, pois além de ser cansativo desanima os interessados em se cadastrar, com tamanha dificuldade.
Para nossa futura carreira perdemos oportunidades, já que uma empresa deste porte, não pensou sobre como captar usuário e nem como facilitar o acesso. Uma pena, pois US$ 30 milhões jogados fora. A internet é um meio que cresce a cada dia, isso por causa da agilidade oferecida, mas é um risco fazer tamanho investimento como foi o caso da Bud.tv, já que este meio está em mudança constante.

Luciane Marazzi disse...

Todo o produto de internet geralmente é melhor articulado dentro da própria internet. Portanto, promover um programa milionário, sem analisar tendências de especialistas e principalmente, fora da própria internet, foi um erro. É indispensável a divulgação na própria internet, sem desconsiderar é claro, as outras mídias. A internet possui uma lógica própria, é navegando que os usuários conhecem outros conteúdos. De um site para o outro você vai lincando, conversando e descobrindo outros conteúdos. E isso merece uma atenção especial. Ainda prevalece a idéia e a concepção da mídia convencional. Nada impede, ao meu ver, que um produto de internet seja divulgado na TV, por exemplo, mas de alguma forma ele deve ser diretamente conjugado com a própria internet e outras mídias do momento como o celular.

Poliana Leite disse...

Professor, o último comentário anônimo postado é de Poliana Leite. Ressalto que a palavra enriquecedor foi digitada errada.

Thiago Macedo disse...

Mesmo sendo um caso a parte o que não pode ser desconsiderada é a questão da internet. O movimento linear de informações não existe mais e temos que ter plena consciência de que a internet é uma ferramente fortíssima e altamente influenciadora nos veículos e nos conteúdos que contam com a Comunicação como base de desenvolvimento. O jornalismo com o tempo deve se adaptar a ferramenta e se moldar a essa veolcidade de saída e entrada de informações. Se considerarmos a questão do investimento de capital, seria ótimo para a profissão, pois abriria o mercado e dinamizaria a atuação do jornalista. Futuros jornslistas virtuais? Vai saber...